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Desfralde: como fazer?

Elefante do livro "Cocô no Trono", da Companhia das Letras

Elefante do livro “Cocô no Trono”, da Companhia das Letras

Antes do meu filho nascer, eu já tinha lido sobre parto, amamentação, higiene, sono, papinhas, desenvolvimento infantil e por aí vai. Mas, confesso, me esqueci de um tópico: o desfralde. Alguns meses atrás, quando o Gabriel estava perto de completar dois anos, fiquei cheia de dúvidas: como (e quando) dar início a esse processo?

A primeira coisa que eu fiz foi perguntar para as pessoas mais próximas, e o que elas me disseram me deixou meio que com a pulga atrás da orelha. Ouvi que o caminho era começar a deixar o Gabriel sem fralda, mesmo que fizesse xixi na cueca, para que ele se incomodasse com essa condição e passasse a usar a privada. Mas achei que essa estratégia ia ser desgastante e úmida demais.

Conversando com uma grande amiga psicanalista, descobri outra visão, que controlar os esfíncteres era um marco importante no desenvolvimento do Gabriel, que chegaria no momento certo e que só me restava esperar que ele chegasse — o que costuma acontecer mais tarde, lá pelos três anos.

Claro que também consultei a autoridade máxima aqui em casa, a pediatra, e ela me pediu para esperar o verão. Segundo ela, nesse período eu conseguiria desfraldar o menino, uma vez que ele já estava avisando quando fazia xixi.

Por fim, corri para a minha “bíblia” pessoal, o livro “Guia Completo para Cuidar de Bebés e Crianças”, da dra. Miriam Stoppard, edição portuguesa da Civilização. Ela também ressalta a importância de a criança estar pronta: “Se insistir para usar o ‘pote’ [pinico, imagino] antes de estar preparado, ele sentir-se-á infeliz ao princípio por não conseguir agradar-lhe, e depois culpado e ressentido”. Ponto alto é ela orientando os pais para o caso de o filho fazer xixi na calça: “Limite-se a limpar, mude-lhe a roupa, e diga-lhe: ‘Deixa lá. Para a próxima tens mais sorte”.

A princesinha, personagem da literatura e da TV, no "trono"

A princesinha, personagem da literatura e da TV, no “trono”

O começo

Bom, diante de tantas versões, resolvi pelo menos me munir para esse tal desfralde. Comprei fofas cuequinhas e uma tampa de privada dos “Carros” — ah, sempre eles. Tenho tentado colocar o Gabriel sentado no vaso um pouco, o que ele acha superengraçado, mas não faz nada. Também tenho deixado ele ficar em casa sem fraldas. O resultado, claro, é xixi para tudo quanto é lado. Quando acontece, a gente explica que ele precisa avisar e tomamos o maior cuidado para falar de uma forma gentil com ele, para que ele não se assuste ou se envergonhe com a situação.

Mas hoje, enfim, aconteceu. Gabriel fez suas necessidades mais que especiais no vaso. Na verdade ele começou a fazer no chão e a moça que cuida dele o levou até o vaso, onde ele finalizou o serviço. Acho que foi o primeiro passo na direção do desfralde. Fiquei bem feliz, mas não menos confusa. E aí, conta para mim como é que faz esse negócio?

Dica: Dois livros que acompanham este momento — “Cocô no Trono”, da Companhia das Letras, que permite apertar a descarga; e “O Que Tem Dentro da sua Fralda?”, da Brinque Book, que deixa a criança espiar o cocô de todos os bichinhos.

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Garatujas Fantásticas: um site que desafia a criança

Site Garatujas Fantásticas apresenta referências não necessariamente infantis para crianças

As pessoas adoram olhar com saudosismo para o passado e achar que a infância delas era melhor do que a de hoje, que o mundo era melhor sem internet, sem videogame, sem TV, sem Patati Patatá etc. Pois eu acho que uma enorme vantagem da qual nossos filhos desfrutam é a alta qualidade do material produzido para crianças.

Uma prova disso é o site Garatujas Fantásticas, projeto de um grupo de pessoas que fazem conteúdo inteligente e divertido para crianças. Uma delas é Thais Caramico, jornalista que já passou pelo Estadinho, suplemento infantil do jornal “O Estado de S. Paulo”.

O Garatujas, no entanto, traz mais do que notícias. Ele reúne entrevistas, pequenas histórias, dicas culturais e tirinhas. O mais bacana é que os textos que a gente encontra por ali não subestimam a compreensão da criança. Muito pelo contrário: é um desafio, que convida os pequenos a conhecerem filmes que não são necessariamente “infantis”, fatos inusitados e poesia.

Aliás, uma das partes mais deliciosas são as histórias animadas, como essa abaixo. De encher os olhos, meus e os do Gabriel — ele já assiste aos vídeos superatento.

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A tecnologia vai estragar os nossos bebês?

Antes de o Gabriel nascer, eu – que não tive nem videogame quando criança – achava que o ideal era afastá-lo da tecnologia o máximo possível. Descobri que isso é impossível. Principalmente em uma casa em que todos são superconectados.

Não demorou muito pra que ele começasse a meter o dedo nas telas dos aparelhos (e ele não está sozinho, vejam este blog). Mexer no iPad é uma das poucas atividades que fazem com que o Gabriel espere por uma refeição em um restaurante ou se aquiete em um táxi, por exemplo. Acabou virando nosso recurso pra esses momentos mais complicados.

Em função disso, testamos muitos aplicativos para bebês e descobrimos que a maioria são apenas jogos ou livros transpostos para o aparelho. Dois programas, no entanto, surpreenderam e agradaram bastante a gente e o Gabriel. Um deles se chama “Sound Shaker” (US$ 1,99). Ele permite ao bebê escolher um tipo de som – como latido e som de flauta – e explorar suas variações. Dependendo da pressão do dedo na tela, o som sai de um jeito, formando bolinhas que se chocam e criam novos sons.

Outro aplicativo bem legal é o “I Hear Ewe” (grátis). É incrível como ele é simples, mas faz um sucesso imenso com os bebês. Traz ilustrações de diversos bichos e veículos de transporte. Quando você seleciona uma imagem, ouve seu som.

 A TECNOLOGIA VAI ESTRAGAR NOSSOS FILHOS?

Uma das minhas maiores preocupações é se o uso de tablet poderia prejudicar a visão do meu filho. Por isso procurei a oftalmologista Juliana Sallum. Ela me contou que a luminosidade do aparelho em si não é prejudicial para a saúde dos olhos. Contudo, há um ponto de atenção: segundo Juliana, “o cérebro se desenvolve desde que o tempo gasto nisto não prejudique o desenvolvimento interpessoal”.

Esse é justamente o tema do artigo “Attention Spans in 2020: Will Technology Hurt Your Child’s Brain?”, do portal de tecnologia Mashable. O texto diz que, ironicamente, os executivos do Vale do Silício (EUA), onde surgiram empresas como a Microsoft e a Apple, estão colocando os filhos em escolas que não fazem uso de tecnologia. Ou seja, será que eles sabem de algo que a gente não sabe?

Um estudo recente, que ouviu professores, especialistas em internet e em saúde, não colheu opiniões muito otimistas. Muitos dos entrevistados acreditam que, em 2020, os jovens – que terão passado a vida toda imersos em tecnologia – terão dificuldades para memorizar conteúdo e para se concentrar em assuntos mais sérios.

As ideias chegam até a uma previsão bastante assustadora. Esses jovens podem depender da internet para resolver problemas sociais, pessoais e profissionais, o que pode interferir até na liberdade de pensamento deles. Isso facilitaria a aparição de instituições que controlariam a mente e a vida das pessoas através da internet – como George Orwell previu na obra “1984”.

Pessimismo? Prefiro acreditar no bom senso. Se a criança puder explorar as novas tecnologias, mas também jogar bola, correr ao ar livre e tiver uma vida cheia de diversidade, não tem como dar errado. 

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Mães francesas educam melhor?

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Virou moda dizer que os franceses fazem tudo melhor. De uns anos para cá, desde quando chegaram às lojas livros como “As Mulheres Francesas Não Engordam”, de Mireille Guiliano, e “A Parisiense”, de Ines de La Fressange, os olhos do mundo estão mais voltados para os costumes de quem vive naquele país.

Agora, a tendência se estendeu à maternidade. Neste ano, chegaram ao mercado os livros “French Kids Eat Everything”, de Karen Le Billon, e “Bringing Up Bebe: One American Mother Discovers the Wisdom of French Parenting”, de Pamela Druckerman. Os dois foram escritos por mulheres que vivem entre a América do Norte e a França, e dizem ter aprendido muito com a criação dos franceses.

O assunto também é o tema do artigo “Is Maman Mean or Magnifique?”, de Janine di Giovanni, no jornal britânico Telegraph. A autora mora na França e é casada com um francês, mas tem uma visão menos romantizada: segundo ela, as francesas batem mais, gritam mais e exigem boas maneiras à força. Ela ainda cita casos de arrepiar que presenciou ou que ouviu. Em um deles, uma mãe estava lendo um livro em um parque enquanto a filha comia areia. Uma mulher foi avisar a mãe do que estava acontecendo. A resposta foi: “Quem sabe ela não passa mal? Vai ser bom pra ela, assim aprende uma lição”.

Pela pesquisa de Janine, os franceses têm outra visão da infância. Eles acreditam que a criação de um filho deve ser focada em passar conhecimento. Sua guru é Françoises Dolto, que foi uma das pioneiras em psicanálise da criança e defendia a autonomia na infância.

PONTOS INTERESSANTES

É claro que, em um primeiro momento, parece haver uma rigidez exagerada. Mas a própria Janine aponta que essa forma de educar curiosamente parece surtir efeito. O relato dela, assim como o de Gabrielle Blair, do blog Design Mom, estrangeira também residente na França, ressalta como as crianças francesas são bem educadas, agradáveis e felizes. Com um olhar mais atencioso, identifiquei dois traços interessantes:

- Paciência: Gabrielle conta no blog que é notável como as crianças esperam pelo momento certo de fazer as coisas. Se o pai compra um doce, elas esperam pacientemente pelo instante em que vão comê-lo, mesmo que seja dali a muitas horas. É também por isso que se alimentam bem em cada refeição — elas sabem que não podem beliscar nos intervalos.

- Independência: os filhos adquirem autonomia mais cedo. Ajudam nas tarefas de casa e aprendem a brincar sozinhos. Gabrielle menciona que, aos dois anos, nas escolas, as crianças já descascam bananas sozinhos, cortam com faca e garfo e comem.

- Respeito ao mundo adulto: desde cedo, as crianças aprendem que existe um limite entre o mundo infantil e o adulto. Por isso, entendem que não devem interromper conversas ou participar de jantares entre adultos.

Deixando os radicalismos de lado, acho interessante como elas parecem conseguir estabelecer limites com clareza. A cada dia que passa, entendo melhor como isso não tem nada a ver com amar incondicionalmente. Carinho e apoio são fundamentais e devem ser ilimitados, o que parece caminhar junto com os limites.

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