“Cocoricó – O Show”: a estreia do Gabriel no teatro

Júlio e a bicharada do "Cocoricó"

Confesso que nunca fui muito fã de “Cocoricó”. Achava o programa da TV Cultura um pouco parado e não entendia o fascínio que ele despertava nas crianças. Mas bastou eu trazer para casa um DVD com clipes dos personagens, que chegou à redação nos meus tempos de Folhinha, para tudo fazer sentido. De cara, o Gabriel se encantou, e eu fiquei impressionada com a qualidade das canções do Hélio Ziskind, que têm um tom engraçado e inteligente.

Hoje, ele vê o DVD e logo pede para assistir — aponta e diz “Cocó, cocó”. Por isso, quando vi que o musical “Cocoricó – O Show” tinha reestreado em São Paulo, fiquei com bastante vontade de levar o Gabriel para assistir. Fiquei um pouco receosa de que ele não conseguisse parar para ver. Ele é bem agitado, e o espetáculo, apesar de ter classificação etária livre, era recomendado para maiores de 3 anos por alguns veículos de imprensa. Mesmo assim, decidi tentar e fomos no dia 15 de abril.

Como a série de TV é bastante popular, o teatro estava supercheio, principalmente de crianças mais novas. Assim que entrou, o Gabriel quis passear pelo lugar, mas, quando ouviu o cacarejar que anunciava o começo do espetáculo, já se empolgou e ficou sentado quietinho comigo. Logo os bonecos dos personagens entraram no palco, e a reação dele foi impagável: ele começou a dançar freneticamente e a bater palmas com a maior cara de espanto! Foi inesquecível!

O ESPETÁCULO

 A peça é curtinha, tem 60 minutos, ideal para prender a atenção dos pequenininhos. A história começa no sítio, quando Júlio, as galinhas e companhia brincam de montar musicais, até que João, que mora na cidade, convida a turma para dar um pulo lá e ajudar a encenar um show de verdade.

Até em função da trama, o espetáculo é cheio de canções — como as famosas “Chuva, Chuvisco, Chuvarada” e “Trenzinho Carrapato” –, o que dá um dinamismo e ajuda a não cansar as crianças. Também usa soluções interessantes, como a projeção de uma animação que mostra a viagem do Cocoricó para a cidade.

Entre as músicas, no entanto, se estabelece um clima um pouco monótono. A atuação dos atores é meio exagerada, gesticulada demais, e os diálogos são repetitivos, quase uma conexão meio forçada entre os números musicais. Isso pode deixar os pais cansados, mas, não se preocupe, os pequenos continuam grudados no que acontece no palco.

Dicas:

- Os ingressos são caros. Pegamos os lugares mais baratos, na lateral do teatro, que custam R$ 40. Mesmo assim, deu para ver superbem.

- Vale dar um pulo no teatro para comprar os ingressos, em vez de comprar pela internet. Na porta, descobrimos que segurado da Porto Seguro tinha desconto. Pagamos R$ 53 pelos dois ingressos — e, vale lembrar, bebês da idade do Gabriel não pagam.

- Se seu filho já tem idade para pedir as coisas e você não quer gastar muito, prepare-se: tem de tudo do “Cocoricó” à venda por lá, de bonecos a roupas.

- Por favor, mesmo que esteja louco para dar aquela olhadinha no seu Facebook, não acesse o celular durante a peça. Atrapalha a todos e é um desrespeito aos atores e profissionais envolvidos. O pessoal do teatro arrumou um jeito bacana de “dar bronca” nesses pais desobedientes: eles usam um laser para “cutucar” a pessoa. E tem pai que ainda acha ruim, pode?

SERVIÇO

“Cocoricó – O Show”

Teatro Procópio Ferreira – Rua Augusta, 2.823, Cerqueira César, São Paulo, SP

Sábado, às 16h, e domingo, às 15h. Até 13 de maio. De R$ 40 a R$ 80.

Telefone: 3083-4475

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